segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Impressionismos pouco discretos.

Laryn correu pela areia. Pensou: Não posso ser impaciente, fui impaciente a minha vida inteira. então ficou à espera, meio cega pela luz daquele mecanismo estranho.

Laryn respirou fundo, inalou um perfume adocicado, e surpreendeu-se a gostar dele.

Laryn perdeu-se no escuro, e viu que nevoeiro é acolhedor, mesmo sem ser à luz do telemóvel, o lusco-fusco quase negro sobre as águas e Orion a velar todos os passos, uma clareira no céu para incandescer o caminho, para a levar para casa.

Laryn provou pão com chouriço, bebeu minis... sempre na espera. Então, decidiu-se a não esperar. Decidiu não se importar. Decidiu-se a não se prender.
E foi pescada.. tem o anzol preso nas carnes, mas não luta para se libertar, apesar das suas decisões.

Laryn é um lagostim muito imbecil.


Laryn acorda para o mundo através de uma série de coincidências, auto-desperta-se do torpor mas não liga, não se interessa nem pelo facto de ter acordado. Sente a vida debaixo dos dedos, nas veias, a pulsar. Mas, como disse, não liga.

Laryn tropeça em troncos de árvore, acidenta-se sozinha, como se o seu anjo fosse ainda menos coordenado que ela. Laryn, meus caros, não tem nada de novo para mostrar. Sente-se pequena e invisível, um pequenino lagostim perdido no meio de uma enorme albufeira, sem saber muito bem onde se enfiar. Laryn sente-se cansada e sem voz.

Laryn acorda de manhã... sem saber muito bem como. Laryn escreve sem saber muito bem como. A sua realidade compõe-se de momentos, de estados de On e de Off. E todos os momentos On envolvem um não-envolvimento envolvente que a enrola em mais fio de pesca. Daqui a pouco, não será apenas um lagostim preso em fio, será o carreto do dito.

Mas, apesar da pequenez que a acompanha em todos os momentos.. Laryn sente-se inundada de luz, feita de pequenas partículas douradas que a envolvem e a fazem levitar. Estas, bombeadas pelo seu coraçãozinho de Guarda-Rios, substituem o seu sangue, um Gold Strike em grandes concentrações, embora o dourado não seja propriamente a sua cor. Mas isso também não interessa. Laryn interessa-se por poucas coisas. Definitivamente, não se interessa por si, não há nada aí para ver. Neste momento... Laryn não sabe de nada, não sente nada, não vê mais nada. Ouvir... ouve a "When You Were Young" dos The Killers.. que incandesce o dourado das suas veias até ao melting point....
Laryn não se preocupa... apenas se concentra em enrolar-se no fio, fundir o seu sangue e levitar mais um dia... e espera amanhã ter mais motivos para se sentir assim: imbecil, mas feliz...

2 comentários:

Bill disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bill disse...

enquanto procurava a minha habitual pérola para chamamento do sono repousei as asas nesta plataforma errante e depositei o olhar sobre este percurso.

a palavra é rica em conforto e cativante pela forma como nos convoca no meio da pax nocturna e seduz qual farol por entre a névoa quente e húmida e o silêncio do ar que nos engolfa

segue pois o teu caminho pequeno Laryn, o percurso é acidentado mas pleno de maravilha e rico em descoberta. os perigos espreitam mas as recompensas são maiores, pois trazem as virtudes do auto-conhecimento e a fadiga, boa, de termos traçado e percorrido o nosso próprio destino